O mercado imobiliário e as ciclovias



Com a valorização do transporte ativo – ou transporte não motorizado – o investimento em infraestrutura para acomodar pedestres e ciclistas tem mudado o formato das cidades e já provoca uma reestruturação nos produtos imobiliários.

A utilização da bicicleta como meio de transporte vem crescendo de forma significativa nas últimas décadas. Segundo o último senso americano, o número de pessoas que utilizam bicicletas para se deslocarem até seus locais de trabalho, aumentou em 62% entre 2000 e 2014. Já em Amsterdã, conhecida como uma das primeiras cidades do mundo a adotar esse meio de transporte, o número de viagens efetuadas por ciclistas cresceu mais de 40% desde 1990.

Mas os efeitos do transporte não motorizado não ficam restritos apenas à melhoria da saúde dos cidadãos ou do meio ambiente. Eles têm efeitos muito positivos também no comércio. De acordo com dados divulgados pela ONG “PeopleForBikes”, as pessoas que fazem compras de bicicleta gastam menos por viagem do que aquelas que utilizam automóveis para o mesmo propósito.

Conclusão: uma cidade com uma rede eficiente de ciclovias, estações “bike-share” e áreas para caminhadas, influencia diretamente a modelagem dos produtos imobiliários no mercado. Um exemplo para isso, é o empreendimento “Bici Flats”, lançado em Iwoa (EUA). Com 154 unidades residenciais, o empreendimento localizado no entroncamento de duas ciclovias, dá aos futuros residentes a opção de deslocarem-se até o centro da cidade pedalando, além de conectarem-se com os 84 km de ciclovias existentes no perímetro urbano.

Vários empreendimentos desse tipo têm sido lançados e contam ainda com facilidades peculiares, como área específica para estacionamento das bicicletas, espaço exclusivo para consertos e manutenção, além de estações com bicicletas para uso compartilhado.

No Brasil, a indústria imobiliária está pronta para colocar no mercado os produtos voltados para os usuários de bicicletas. O que falta é estruturação e implantação no tecido urbano de redes panejadas de ciclovias, que sejam permeáveis, seguras, confortáveis e abrangentes do ponto de vista de deslocamentos.